No ano de 212 a.C., após um cerco de dois anos à cidade de Siracusa, na Magna Grécia, atual Sicília, esta foi capturada pelas legiões romanas. Quando a casa de Arquimedes – que com seus engenhos ópticos e mecânicos retardou ao máximo a queda da cidade – foi invadida pelos romanos, ele estava no quintal desenhando na areia suas figuras e estudos geométricos, quando um dos soldados pisou sobre os mesmos. Noli tangere circulos meos (não toque em meus desenhos), exclamou Arquimedes em seu precário latim, sendo imediatamente morto por uma lança, que destruiu fisicamente este velho filósofo e matemático. Mas não conseguiu eliminar o seu acervo intelectual, que, atravessando os séculos, chegou até nós.







Neste blog republicaremos também artigos da minha coluna semanal BRASILIANA, do jornal MONTBLÄAT editado por FRITZ UTZERI.




sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

DILMA AFAGA A CORRUPÇÃO

É assustador o avanço da corrupção com uma unanimidade na defesa dos “malfeitos”, unindo desde Dilma a Sarney, passando pelo “vacilante” Peluso com seus “pecadilhos” que sistematicamente facilitam a impunidade. Com este blábláblá de que não existem provas (palavras de Sarney) ou o mais grave, as declarações da “presidenta” de que ninguém deve explicações de sua vida particular (mesmo envolvendo dinheiro público) nada é apurado. Pensar em uma comissão de apuração independente das tais de “rigorosas apurações” de Dilma, nem pensar. E assim a revista Forbes vai publicando que o Brasil é o país de geração espontânea de milionários. Se o procurador geral da república não fosse da “linha” de Peluso e outros – por exemplo, a denúncia contra o comandante do Exército por suspeita de corrupção está engavetada – há muito já teria feito uma denúncia contra Dilma, no mínimo por crime de irresponsabilidade devido a sua “solidariedade” extremada com os suspeitos de corrupção.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Soneto Tirado de uma Notícia de Jornal


Não ficou claro
foi no Fallet ou São Carlos
provavelmente no Morro da Coroa
com certeza no Beco Paulo II.

Uanderson Pereira, dezenove anos
chamou Erickson da Silva, mais novo
combinaram com Jimi Krishna de Souza,
[de menor
– vamos fazer uma granada.

O artefato explodiu
os vizinhos estavam na missa ao lado
tudo sossegado, o Canto Final.

Maria, Maria, tu és a estrela que nos guia
derrama-te em bênçãos sobre nosso chão.
Os três corpos foram liberados pelo
[Instituto Médico Legal.

Rio de Janeiro, novembro de 2011.

domingo, 4 de dezembro de 2011

A Viagem

Não, Doutor. Não é nada disto que a imprensa fica falando. Este pessoal da Zona Sul tem a mania de achar que todo lugar é igual. Lá pra cima, deu bobeira morre. Tem gente que até gosta: morreu é bandido. Tem culpa no cartório.
Eu moro lá perto. Se não fosse a milícia ninguém podia andar mais por aquelas bandas. Tá bom, a gente tem que pagar o pedágio, bujão de gás mais caro, mas não paga luz e a internet com TV a cabo sai só por trinta reais.
Agora é aquela história, só tem direito quem anda direito. Nêgo quer droga? É só ir lá pros lado do lixão: pó, fumo, pedra, tudo livre. Lá na comunidade não pode. Nas ruas, entre moradores, muito respeito.
Este menino João teve foi azar. Estava no lugar errado, na hora errada. Não vou dizer que era santo não. Com onze anos já trabalham de avião. Neste caso ninguém sai por aí matando, dão apenas uma dura. Não existe o tal de erro médico? Pois foi assim, cometeram uma falha técnica. São muito despreparados.
Pra resumir, Doutor, fizeram foi uma lambança, escondendo o corpo num sofá abandonado no meio da rua pra depois voltar, pegar o menino e desovar naquele matagal. Muita bagunça assim tinha que acabar na imprensa.
Agora o pivetão de dezessete anos é outra conversa. Se não passassem o rodo, depois ia ameaçar morador.

Reformei como terceiro sargento da polícia. Hoje rodo o dia inteiro neste taxi. Se fosse ladrão estava lá em Saquarema fazendo churrasco num casarão.
Santo, não fui. Mas atuava nos limites da ética.
Bem... Afinal quem não fica revoltado vendo na TV aquele tapete de armas sendo destruídas por um rolo compressor? Arma de bandido não tinha auto de apreensão. Agente dava uma ajustada, polia e vendia tudo.
Agora o Doutor está é de brincadeira! Quem compra arma é para quê? Esta história de defesa pessoal é cascata. Mas aí, cada um com sua responsabilidade. Depois que vendemos uma escopeta ou AR -15, não dá pra ser babá de ninguém.
Já fiz curso de armamento, tiro, informação, contra-informação e o cacete. Acho até gozado. Sabe o que significa AR? É assault rifle. Arma de combate que nada. É uma cópia ordinária, cabo de plástico, sem precisão de tiro, do fuzil Colt M16. Este, usado pelos mariners no Iraque e Afeganistão. Traficante é assim. Tudo drogado. Atiram pra qualquer lado. Muito barulho por nada. Os americanos faturam alto vendendo porcaria e a bandidagem gosta de estar na moda. É igual a estes playboys que tiram maior chinfra com tênis da moda. Arma boa é uma Kalashnikov AK-47, uma Uzzi ou a FAL, Fusil Automatique Léger em belga, sei lá. Fabricante de armas, no fundo são parceiros do Demônio. Imagine que Uzzi é um termo bíblico que significa
“Deus é minha força.”
Isto tudo como chega aqui? Posso falar, mas não posso assinar em baixo. Dizem que é com guia de importação fajuta, na marra pelos federais, nas malas diplomáticas ou em aviões e navios militares. Mas o grosso mesmo é nos containers que entram selados no Porto de Paranaguá e vão pro Paraguai. Estas metralhadoras de derrubar aviões são vendidas pelos hermanos do Exército Boliviano.

Não vou dizer que foi ruim trabalhar na polícia. Lá em casa meus irmãos se formaram Engenheiro, Advogado, Contador – tudo cheio de estudo. Eu não. Nunca fui muito amigo de livros, este negócio de leitura. Me virei na carreira militar. A única coisa que nunca gostei era quando chegava em casa depois de um tiroteio e todo mundo olhando esquisito. E olha que não eram apenas os vizinhos. Até a mulher e as filhas ficavam me espiando de lado como se estivesse com respingos de sangue na farda.
Respondi muitos autos de resistência. Muita gente pro inferno. Uma vez olhei firme pro Promotor que perguntou se não bastava um tiro: “Ora todo mundo sabe que quando pipoca o gatilho, quem tem vontade de parar? Ainda bem que tem esta gentalha pela frente.” Ele sentiu logo a barra e mandou arquivar o processo. Estes almofadinhas não servem é pra nada. Só perseguem polícia e cuidam da carreira.

Daqui a pouco o Doutor vai saltar, né? Vou só contar um caso pra mostrar que aqui no Leblon é outra mentalidade.
Outra noite, ao entrar na minha rua, vi um vulto que parecia sair do meu portão. Achei que era o rapaz da casa vizinha. Pela manhã notei que tinha sumido um Trinca-ferro que cantava que era uma beleza. Fui falar com o pai do rapaz. Acabei ficando até com pena. E eu que estava procurando o vagabundo para matar. O pai, envergonhado, explicou que em consideração por ele ser um dos moradores mais antigos da rua, não iam levar o filho que vivia dando problema na área. Mas o trato era para ele não colocar mais os pés fora de casa. Agora não tem jeito, o garoto sumiu.
O próprio pai entregou a alma do filho pra Deus e pra milícia. Pelo menos lá pra cima fazem Justiça. Não tem esta de playboyzinho tirar onda.

Ué! Mudou de idéia? Não ia ficar na Ataulfo de Paiva e agora quer ir para a Dias Ferreira? O Doutor me desculpe, lembra até aqueles comunistas que saltavam do taxi e davam a volta no quarteirão antes de entrar em casa. A gente aprendia isto tudinho no curso de contra-terrorismo.
Cuidado, Doutor, a milícia já está chegando por aqui...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A NOVA DIREITA BRASILEIRA

No início fingiam ser esquerdistas-socialistas-progressistas



Depois se uniram ao “pior do Brasil” – à velha direita truculenta.



Cinicamente comemoram seus “malfeitos”, suas traições ao sofrido Brasil!




Confraternizam com desmatadores que aplaudem o PCdoB aliado.



E desmatar virou esporte para alegria da “presidenta” na busca do voto fácil.


E dividem o butim brasil, destruindo um paíz que deveria ser de todos!














segunda-feira, 24 de outubro de 2011

DILMA INCENTIVA CRIMES AMBIENTAIS

Ao aparecer em público usando um cocar de penas de aves da nossa fauna silvestre, em cerimônia recente, Dilma faz a apologia da criminalidade ambiental incorrendo em crime conforme nossa legislação. Com a palavra a Justiça para as devidas providências!

Ler também em “OS LIMITES DO POLITICAMENTE CORRETO”


A propósito, Lula é cúmplice de Dilma, conforme atesta a foto abaixo:




sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Epitáfio para Manuela


Ela era jovem
até bonitinha –
que me perdoem as feministas
de mentirinha.
Dizia revolucionária
socialista-evolucionista-progressista.
Estudante virou deputada federal
assento no Planalto Central
carreira pra prefeita municipal.

Um dia antigo camarada falou:
corrupção na latrina eleitoral
ela apenas sentenciou:
o público é apenas privada pessoal
o delator-detrator É um Zé-Ninguém.

Seus cabelos ficaram cor de acaju
toda jururu sebosa gordurosa
sumiu no plenário
apenas grande mar de olhos medrosos
bandeiras de cifrão.

Lá fora milhões de Zés-Ninguém
cafusos mulatos mamelucos
brancos negros índios:
devolvam nossos votos
o espetáculo acabou.

Na profunda cova do esquecimento
João Amazonas chorou.
Chora chora.

a Revolução acabou
soterrou - a corrupção triunfou.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Balada da Irmã Clotilde


Tinha no máximo dez anos. Lábios enferidados de cobreiro, cabelo raspado para combater piolhos. Profundas negras olheiras davam à criaturinha aparência de morta viva. O vereador José Alencar, voz mansa, ia explicando: “como o Senhor vê, a infeliz nem nome tem. Afinal, qualquer um que foi à Zona, pode ter uma filha, um estropício destes. No fundo ela é igual à mãe. Coisa ruim. Desde pequena te levando pro pecado da carne. Quando ajuntou com Dona Santinha devia ter se livrado da peste. Ela vai acabar contaminando as outras três filhas. Não se preocupe. O Padre Bento vai cuidar bem dela. O dinheirinho fica pra ajudar nas suas despesas.”
Assim o corpinho magricelo, cara assustada, montou na garupa do padre. Dona Santinha deu um conselho de despedida: “olha, desgraçada, vê lá o que vai arrumar. O Padre é um homem Santo.” Seu Ediomar, calado, apenas tomou mais um gole de cachaça, apertando o copo que espatifou cortando a mão.
A cafetina arrependida, mais pela idade e medo da morte do que pela fé, dava instruções: “higiene é importante. Muito respeito também. Pergunte sempre, com a cabeça baixa, olhando pro chão: o Senhor ainda vai me usar ou já posso me lavar pra ir dormir?”
Nestes assuntos o Torto sempre interfere causando confusão: “se não parar a hemorragia, vai lá pra lápide debaixo do altar. Esquece esta história, que vou te mandar pro Convento e procurar um menino, que assim não arrumo mais complicações”, concluiu Padre Bento.
Da menina sem nome nasceu Irmã Clotilde. Nas cinco décadas atrás das grades, a rezar, só recebeu uma única visita – de uma das irmãs: “as duas menores estão em boa situação. São mulheres de viração. Não têm que dar dinheiro pra homem. Pra mim, Doutor Alencar montou casa”.

Um belo dia a Madre Superiora anunciou: “o Convento vai fechar. É a Teologia da Libertação. Nada mais de rezação. Agora vamos trabalhar nos fundões do Brasil, conscientizando o povo. Afinal, se a Fé é uma adesão racional a um dogma, como pode uma pessoa ignorante, passando fome e doente, fazer esta opção?”

Irmã Clotilde partiu para o Pará. No ônibus que atravessava estradas poeirentas, pensava na vida vazia.
Com força de pensamento e Fé, veio a Iluminação: fecharia o prostíbulo, fundando uma colônia agrícola. Traria alegria às mulheres sem infância.
Beatas protestavam. Lugar de mulher da vida é na Zona. Veio a polícia.
Irmã Clotilde morta.
Arrependidas, com medo do fogo dos infernos, as beatas fizeram uma petição: Irmã Clotilde seria a Santa Clotilde.

No alto do Sumaré, Frei Leontino, teólogo de plantão, aborrecido com a petulância, cuspia e polia compulsivamente o anel que parecia cada vez mais fosco. O brilho desaparecera há muito. Pensava no parecer: “nestes tempos políticos, eleitorais, devemos ser pragmáticos. Ecumenismo é isto. Com o apoio de todos, até da direitona braba, assegurar o poder, para um dia fazermos reformas. O que não posso é desagradar a base política.” Com estes parâmetros ético-filosóficos, Frei Leontino, iluminado, concluiu: “Prostituta não pode ser Santa!”
Consciência tranquila, rezou umas avemarias, uns tantos padrenossos, voltando à escrevinhação de seu ensaio Ética na Política e na Vida.

Conto publicado no livro "Cidades de Memórias".