No ano de 212 a.C., após um cerco de dois anos à cidade de Siracusa, na Magna Grécia, atual Sicília, esta foi capturada pelas legiões romanas. Quando a casa de Arquimedes – que com seus engenhos ópticos e mecânicos retardou ao máximo a queda da cidade – foi invadida pelos romanos, ele estava no quintal desenhando na areia suas figuras e estudos geométricos, quando um dos soldados pisou sobre os mesmos. Noli tangere circulos meos (não toque em meus desenhos), exclamou Arquimedes em seu precário latim, sendo imediatamente morto por uma lança, que destruiu fisicamente este velho filósofo e matemático. Mas não conseguiu eliminar o seu acervo intelectual, que, atravessando os séculos, chegou até nós.







Neste blog republicaremos também artigos da minha coluna semanal BRASILIANA, do jornal MONTBLÄAT editado por FRITZ UTZERI.




quarta-feira, 22 de julho de 2020

PSSC


O PSSC Physical Science Study Committee, foi um programa norte-americano para desenvolver o ensino de Ciências de uma forma mais atraente.  O projeto global incluía também Biologia e Química.  Esta foi uma resposta dos meios acadêmicos quando a União Soviética lançou seu primeiro satélite artificial.  Todo o material deste projeto (livros, filmes, laboratórios, testes e treinamento de professores) foi lançado no Brasil, em 1963, pela Editora Universidade de Brasília em colaboração com a Unesco. 
Eu tive a sorte de participar como aluno no programa de Física, o que foi decisivo para meus futuros estudos. 
Por aqui temos que fazer algo para alavancar o Ensino em geral, combatendo esta era de incultura. 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Por uma oposição democrática




          Passado um ano do atual governo, considerado de extrema direita, ainda não existe uma oposição democrática, livre de mesquinhos interesses partidários.  Vemos apenas uma espécie de briga de comadres de grupos que se auto intitulam de esquerda e o governo.
          Durante mais de dez anos fui colunista do jornal Montbläat, dirigido pelo jornalista Fritz Utzeri e distribuído pela internet. 
          Nas dezenas de artigos que escrevi para esta publicação, bem como para o Observatório da Imprensa, os governos passados eram considerados de direita, tendo apenas uma falsa retórica esquerdista.  Muitos de seus colaboradores são atuais personagens que orbitam o atual poder.
          Logo, uma verdadeira oposição democrática, deve se afastar e denunciar também os grupos e “igrejinhas” oportunistas.
          O artigo que pode ser lido no link abaixo, resume as mazelas que imobilizam uma verdadeira oposição:


domingo, 29 de dezembro de 2019

A Sórdida Padaria do Lucrécio



          Que chuvarada!  Verdadeiro dilúvio.  Cortei caminho por Bonsucesso, acabei no Campo de São Cristóvão.  Lá me atrapalhei, errei a subida do viaduto para o Túnel Rebouças.  Acabei em imenso engarrafamento na Rua São Luiz Gonzaga, de volta em direção a Bonsucesso! 
          Em meio à lentidão do trânsito, como em outro mundo, aquele senhor, roupas surradas, longos cabelos brancos ensebados, olhava, mas não via.  Sentado no tamborete focava o infinito.  Em que pensaria?  O casaco de couro pareceu-me o mesmo – apenas mais acabado, como o dono.  A familiar sordidez no misto de padaria e botequim.  Era o Lucrécio.  Acenei, gritei.  Inútil.  Fantasmas povoam outras esferas. 
          Finalmente estacionei o carro.  Encontrei apenas o proprietário, cotovelos cravados no balcão engrossado pela sujeira, rosto amarelado pela iluminação mortiça.  Sentei-me num caixote, respirei o cheiro de urina de rato, o bolor pelas paredes.  Vi prateleiras vazias.  Pobreza e sordidez explícita transportando-me a um passado com outros aromas e sabores. 

          Sentados na grama, atentos ao sistema de som que transmitia uma palestra de Nelson Werneck Sodré.  O auditório do ISEB (1) estava lotado.  Marcelino, como sempre, atrapalhando com suas conversas sobre culturas orientais – nada meritório.  Apenas para impressionar as garotas: o zen-budismo... “O Marxista”, muito calado, ainda com dores, um braço e um dos pés engessados depois de sua recente “intervenção” por ocasião da cerimônia, no Cemitério São João Batista, em intenção aos mortos na tal de Intentona Comunista de 1935.  Hugo, sempre odiado por todos: vou duplicar o lucro da firma do papai com meus conhecimentos da mais-valia...  Cleber, até então calado, lamentava: meu pai é um agente provocador!  Cortou carro e mesada dizendo que comunista deve andar a pé.  Junto com o povo! 
          Lucrécio vivia como pensava: o imperialismo capitalista corrompe a juventude com cachorro-quente do Bobs e Coca-Cola.  Assim, excursionávamos pelas padarias do Rio, conhecendo deliciosos sanduíches de pernil e queijos gordurentos.
E eu?  Eu?  Eu sempre respondendo com argumentos “irrefutáveis”: ora bolas, vocês estão desvinculados da realidade! 

                                    1965, acervo Teócrito Abritta

          O trânsito melhorando, a fome apertando:
          – Tem água mineral com gás?
          – Com gás não.
          – Então uma sem gás.
          – Também não tem.
          – E pra comer?
          – Sanduíche de queijo.
          – Um, por favor.
          – Mas não tem pão.
          – Ah... então uma porção de queijo picado.
          – Mas não tem queijo.

          Definitivamente uma última trincheira.
          A sórdida padaria do Lucrécio!

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(1) Instituto Superior de Estudos Brasileiros, órgão do antigo Ministério da Educação e Esportes, criado pelo Presidente Juscelino Kubitschek, reunindo pensadores e intelectuais para discutir os problemas brasileiros.  Paralelamente havia palestras e cursos para a comunidade, em particular, para jovens estudantes.  Em primeiro de abril de 1964 foi totalmente destruído a golpes de baionetas por uma tropa de fuzileiros navais e sua biblioteca incendiada. 
(2) PSSC (ver na figura), Physical Science Study Committee, programa norte-americano para desenvolver o ensino de Ciências em uma forma mais atraente.  Todo o material deste projeto (livros, filmes, laboratórios, testes e treinamento de professores) foi lançado no Brasil, em 1963, pela Editora Universidade de Brasília em colaboração com a Unesco. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Seringueiras




          A borracha natural, feita com o látex das seringueiras, ainda tem aplicações industriais, principalmente na área médica. 
          No Brasil, que é um exportador deste produto, o látex é colhido artesanalmente em comunidades de seringueiros que trabalham em reservas ecologicamente sustentáveis
          Na foto abaixo mostramos como é feito este trabalho: são cortados sulcos no caule da seringueira, em forma de um “V”, e a seiva vai gotejando em recipientes colocados nos vértices (não mostrado na figura).  Cada seringueiro tem uma trilha de trabalho. 
Na época em que visitei esta reserva extrativista, devido à cheia decorrente das chuvas, o trabalho estava suspenso. 
          Se persistirem estas queimadas nas nossas florestas, estas seringueiras desaparecerão, tirando a fonte de subsistência de uma grande população e o Brasil perdendo um dos seus produtos para exportação. 

Rondônia, Foto T.Abritta, 2005.


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Vila dos Confins: Mário Palmério




Quem mal lê, mal fala, mal ouve, mal vê.
Monteiro Lobato

Nas vésperas desta conturbada eleição de 2018, muitos podem se admirar com esta postagem.
          Mas a culpa é da pobreza cultural que impera nestes dias, com o total desconhecimento de nossa História, preferindo, comodamente, seguir uma espécie de seita, acreditando piamente em suas palavras de ordem sem a mínima reflexão.  Alguns – semeando o terreno para o golpismo – espalham por aí que a votação eletrônica é o caminho para a fraude eleitoral.
          Mas a História sempre deixa registros, que podem ser lidos até em obras literárias. 
          Neste sentido, assim como Guimarães Rosa, fez uma detalhada pesquisa da vida e do ambiente nos sertões mineiros, Mário Palmério registra o mesmo para o Triângulo Mineiro, em obras fabulosas como Vila dos Confins (1956) e Chapadão do Bugre (1965), romances (ver Fig. Abaixo) que são verdadeiras obras sociológicas.

Foto T.Abritta


          Este escritor foi fazendeiro, professor de Matemática, educador, tendo fundado colégios, faculdades e uma universidade.  Foi também congressista e embaixador.  Gostava também de explorar regiões remotas do Brasil, em particular a Amazônia.  De sua experiência, anotações e fotografias, nasceu sua Literatura. 
          Vila dos Confins registra a vida, costumes e a política, em particular, o processo eleitoral, a corrupção, compra de votos, coação aos eleitores sendo também analisados detalhadamente os processos de fraude na apuração manual da eleição.
          Este romance acabou sendo usado como um relatório que mudou a Lei Eleitoral da época, minorando as chances de fraude.
          Hoje, felizmente, as urnas eletrônicas praticamente zeraram a fraude eleitoral. 


Foto Histórica: O Juiz Oduvaldo Abritta, abrindo a primeira urna eleitoral da Primeira Zona Eleitoral do Rio de Janeiro, na década de 50.  Acervo Teócrito Abritta.






quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A Academia de Ciências de Nova York


“...no fundo o meu amigo tem razão: não custa nada, não é demais meter um latinório para cima deste povinho todo; se a gente não faz isso, passa por ignorante e eles só respeitam quem mostra que sabe mais.”
De Os Tambores Silenciosos, Josué Guimarães.

          Hoje, parece que vivemos em uma ditadura onde farsantes e corruptos enganam a população na busca do voto fácil.  Alguns apresentam-se até como “Especialistas em Direito Constitucional” dando suporte aos males que nos afligem.
          Em uma fuga no passado, para dar uma respirada, lembrei-me daqueles diplominhas que recebíamos, propondo por uma módica anuidade, ser membro da Academia de Ciências de Nova York para receber um diploma pronto para ser emoldurado.
          Ah, bons tempos.
Tempos de ingenuidade...




sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Um Juiz com “J” maiúsculo



          Quando leio estes ataques torpes e violentos contra o Juiz Sérgio Moro, simplesmente por cumprir os seus deveres, me lembro dos ataques e ameaças que o meu pai, Oduvaldo Abritta, sofria por enfrentar os poderosos (Ler em http://observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/juizes_algemas_e_imprensa__ontem_e_hoje/  )
Por coincidência, o meu pai começou sua carreira como Juiz de Direito no Território Federal do Iguaçu, comarca de Clevelândia, que foi posteriormente extinto, passando a pertencer ao Estado do Paraná.


Clevelândia, 1946.  Oduvaldo Abritta é o último à esquerda.