No ano de 212 a.C., após um cerco de dois anos à cidade de Siracusa, na Magna Grécia, atual Sicília, esta foi capturada pelas legiões romanas. Quando a casa de Arquimedes – que com seus engenhos ópticos e mecânicos retardou ao máximo a queda da cidade – foi invadida pelos romanos, ele estava no quintal desenhando na areia suas figuras e estudos geométricos, quando um dos soldados pisou sobre os mesmos. Noli tangere circulos meos (não toque em meus desenhos), exclamou Arquimedes em seu precário latim, sendo imediatamente morto por uma lança, que destruiu fisicamente este velho filósofo e matemático. Mas não conseguiu eliminar o seu acervo intelectual, que, atravessando os séculos, chegou até nós.







Neste blog republicaremos também artigos da minha coluna semanal BRASILIANA, do jornal MONTBLÄAT editado por FRITZ UTZERI.




segunda-feira, 16 de maio de 2016

A Chegada de Lampião em Brasília


Farsantes e Aproveitadores são assim: sempre tirando vantagens do Poder...

(artigo publicado em junho de 2007).

                                                      Foto T.Abritta.                                    

          “A Chegada de Lampião no Inferno é um folheto cuja tiragem anual alcança mais de duzentos mil exemplares no Nordeste, apesar de editado há mais de vinte anos.  É um exemplo típico de literatura de caráter ideológico.  O inferno que o poeta camponês descreve tem vigia, depósito de algodão, casa de “ferragens”, vidraça, oitão, cerca e portãoNão é outra coisa senão a fazenda do latifundiárioLampião, no fundo, representa o próprio camponês que deseja conquistar tudo aquilo.  O vigia barra-lhe a entrada e comunica a Satanás, a quem chama de Vossa Senhoria, como faz com o latifundiário, a chegada do intrusoMas Lampião finda vitorioso:

“Houve grande prejuízo
No inferno, nesse dia;
Queimou-se todo o dinheiro
Que Satanás possuía
Queimou-se o livro de ponto
E mais de seiscentos contos
Somente em mercadoria

          Acima reproduzimos um trecho de Francisco Julião de seu livroQue são as Ligas Camponesas?”, publicado em 1962 pela Editora Civilização Brasileira.  Nestes tempos, a par da miséria crônica, o nordeste brasileiro era uma terra de luta e esperança por tempos melhores e um celeiro de espíritos indomáveis, não deixando, entretanto de dar grandes contribuições artísticas e culturais para as soluções dos problemas brasileiros
          Este espírito revolucionário começou com Zumbi dos Palmares, que foi também um líder civilizador, pois trouxe a fundição do ferro para as Américas.  Do nordeste brasileiro também saíram grandes líderes populares, como Francisco Julião com suas ligas camponesas e os heróis do Engenho Galileia que começaram a sua luta pelo direito de alfabetização. 
          Hoje parece que a esperança de Dom Hélder Câmara evaporou-se, a “Geografia da Fome de Josué de Castro” foi rasgada, a “Pedagogia do Oprimido” de Paulo Freire foi destruída, as obras de Celso Furtado e Gilberto Freyre apagadas, a grande literatura de João Cabral de Melo, Jorge Amado, Graciliano Ramos e Ariano Suassuna, substituídas pelo lixo televisivo e a obra de Mestre Vitalino, juntamente com os artistas populares do Alto do Moura trocados pelas quinquilharias contrabandeadas do Paraguai.  Até o pequeno distrito de Vargem Grande, no Município de Garanhuns em Pernambuco, local de nascimento de Lula, não existe mais, transformou-se em Caetés, pois por aqui as cidades não crescem pelo progresso, crescem pela mão da superpopulação e da miséria que promovem mais os políticos e sugam as verbas que se evaporam como em um truque do demo
          Em nossos dias, para conhecermos a miséria nordestina não temos que visitar o sertão, apenas temos que a partir da decadente Praia da Boa Viagem, na outrora bela Recife, cantada por muitos como uma Veneza tropical, visitarmos o interior deste grande aglomerado urbano, a maior mega-favela das Américas formada por um contínuo de municípios como Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda, Nova Paulista e Igarassu, todos com muita miséria, falta de saneamento, educação, habitação e o maior índice de violência do Brasil, não tendo destaque na grande imprensa por ser entre a população que não freqüenta as colunas sociaisPor aqui o progresso pode ser aferido pelo número de sacos plásticos brancos que “adornam” os rios da capital, os famosospombos”, que levam os detritos das populações sem instalações sanitárias e pela poluição das praias de Muro Alto pelo Porto Suape. 
          Dentro do triste apagão ético em que vivemos, ainda assistimos o paraibano Ariano Suassuna que se definiu como: “Sou, como todo escritor, uma espécie de sonhador, sem muito jeito para político ou cientista”, ser cooptado pelo poder, traindo o seu Movimento Armorial ao assumir a Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco e como sempre para deixar marcas, uma grande obra arquitetônica: a última área verde de Recife a beira mar, perto da praia da Boa Viagem, será destruída, sem nenhum estudo de impacto ambiental e substituída por uma imensa área coberta de concreto, a pretexto de construir um centro cultural para o Prefeito de Recife fazer seus comícios para plateias de até 20 mil pessoas neste pátio, chamado de Parque Dona Lindu.  Isto tudo com a benção de um projeto de Oscar Niemeyer. 
          Mas hoje o inferno e os opressores se sofisticaram, usam a Bolsa Família para extorquirem votos de um povo que jamais terá trabalho, educação e dignidade, pois com a consciência vem a vontade de mudar e a sede de justiça.  E o diabo está mais esperto, indo habitar aquela cidade projetada para uma pequena elite do poder ficar protegida do cheiro do povo, obrigado a viver em seu entorno no eufemisticamente chamado Recanto das Emas.  Sobre esta cidade Clarice Lispector escreveu: “A construção de Brasília: a de um Estado totalitário” ou Quando morri, um dia abri os olhos e era Brasília.  Eu estava sozinha no mundo.  Havia um táxi parado no pontoSem chofer.  Clarice também escreveu sobre esta cidade frases impressionantes como: “A alma aqui não faz sombra no chãoe “É urgente: se não for povoada, superpovoada, uma outra coisa vai habitá-la.  E se acontecer, será demais: não haverá lugar para pessoasElas se sentirão tacitamente expulsas”. 
          Infelizmente a visão trágico poética de Clarice se concretizou, sendo ainda esta cidade administrada por uma pessoa que recentemente foi envolvida em um dos maiores atentados a nossa democracia, que foi a fraude no painel de votação do Senado, temperada com a concussão de funcionários desta casa legislativa
          Ainda nem nos recuperamos da vergonhosa partilha ministerial em Brasília e assistimos como em um filme de terror, uma multidão de insignificâncias intelectuais disputando a tapas cargos técnicos em órgãos importantes como: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, IBGE, Comissão de Valores Mobiliários, Susep, INPI, Inmetro, Cnen, Fundação Oswaldo Cruz, Casa de Rui Barbosa e outros 270 cargos, que estão em uma lista preliminar catalogada pelo Ministro Mares Guia e comparada pela jornalista Miriam Leitão a um resort all inclusive
          Contra tudo isto devemos invadir Brasília como o Lampião dos cordelistas chegou ao Inferno, mas sem violência, armados apenas com a força da éticaMas onde encontrar esta armaPara encontrá-la não adianta apenas combater os políticos e magistrados corruptos.  Devemos cultivá-la no nosso dia a dia combatendo aquela jornalista que ganha uma viagem a Antártica para elogiar o governo; aquele cronista sulista que escreve sobre Sarkozy para não criticar a direita petista; aquele professor universitário que se aposenta e faz concurso para o mesmo cargo, tirando uma vaga de um de seus ex-alunos; aquele juiz que após julgar favoravelmente uma causa do cantor Roberto Carlos age tal qual uma macaca de auditório, tirando fotografias e presenteando-o com um CD, conforme publicado no O Globo de 10 de junho de 2007.  Devemos combater também aquele cientista que vende a sua dignidade para arranjar um empreguinho para um filho inepto ou ocupar uma diretoria federal; não devemos nos esquecer daquele líder estudantil subsidiado vergonhosamente por um partido político ou daquele pseudo-ecologista cuja prática é a sua fonte de renda ou mesmo aquele operário que usa o auxílio alimentação de sua família para beber cachaça.  A lista é longa, mas se não cultivarmos a ética será melhor deixarmos os Senadores se divertindo com as mulheres genéricas conhecidas por eles como “as gestantes”.  Aqui toquei em um ponto melindroso, mas as ofensas às mulheres e à maternidade vindas da capital federal devem ser respondidas com grande firmeza pela Secretaria Especial de Política para as Mulheres, diretamente pela sua titular Ministra Nilcéia Freire.  Será que vai?  Eu acho que não, pois esta moça fica indignada é com a imprensa, quando esta mostra a foto do da Ministra Marta Suplicy envergando um calçado Prada de valor equivalente a umas duzentas bolsas família.

...e assim hoje, em 2016, nove anos depois, as facções criminosas continuam com seus crimes sem fim!


quinta-feira, 12 de maio de 2016

Antigo Texto, Velhas Verdades...

          Parece que na reunião dos chamados intelectuais pró Dilma faltaram intelectuais.  O jeito foi Leonardo Boff, o Show Man, completar com um monte de ex-ministros e promover Temer e Sérgio Cabral como “intelectuais” ou quem sabe, “livres pensadores”.  Abaixo podemos ver o nosso douto teólogo bem contente ao lado de Temer e assistir ao discurso do ex-frei pautado exclusivamente na Ética!  E assim, a “Nova Direita” brasileira vai criando uma base teórico-filosófica, de modo a integrar opressores, aproveitadores, lumpens e homens de subsolo, como chamava Dostoiévski. 



Bem, de qualquer maneira temos que concordar que foi uma cerimônia digna dos tempos do fascismo...



sexta-feira, 25 de março de 2016

Epitáfio para Manuela

Veja o primeiro nome da lista de dinheiro recebido da Odebrecht. 
Receber 3000.000,00 desta firma é ético?
Abaixo uma desomenagem que escrevi para esta farsante no ano de 2013.



Epitáfio para Manuela

Ela era jovem
até bonitinha –
que me perdoem as feministas
de mentirinha.
Dizia revolucionária
socialista-evolucionista-progressista.
Estudante virou deputada federal
assento no Planalto Central
carreira para prefeita municipal.

Um dia antigo camarada falou:
corrupção na latrina eleitoral
ela apenas sentenciou:
o público é apenas privada pessoal
o delator-detrator é um Zé-Ninguém.

Seus cabelos ficaram cor de acaju
toda jururu sebosa gordurosa
sumiu no plenário
apenas grande mar de olhos medrosos
bandeiras de cifrão.

Lá fora milhões de Zés-Ninguém
cafusos mulatos mamelucos
brancos negros índios:
devolvam nossos votos
o espetáculo acabou.

Na profunda cova do esquecimento
João Amazonas chorou.
Chora chora
a Revolução acabou

soterrou – a corrupção triunfou.

domingo, 20 de março de 2016

Dilma e seu Defunto Debaixo da Cama

Legais Sim! A "presidenta" ligou para um suspeito de graves crimes contra a Democracia, logo configura-se como um flagranre de conspiração criminosa. É aquela história, se em uma invasão de domicílio não autorizada, encontra-se um cadáver debaixo da cama, a Lei não vai mandar que devolvam!
Mas isto é assunto velho, que já comentei há oito anos atrás com a "Teoria Jurídica" do "Defunto Debaixo da Cama":
Ler mais no link abaixo:


Escutas clandestinas de telefones deveriam ser consideradas uma ofensa séria à democracia e...

segunda-feira, 7 de março de 2016

Cangaceiros e Torturadoras

Um artigo infelizmente atual...

          Tenho um velho hábito, herdado de meu pai, que é recortar notícias que considero interessantes, datá-las e guardar dentro de um livro que trate de um assunto correlato.  Esta prática, em geral nos propicia descobertas interessantes, como aconteceu outro dia ao retirar da estante o livro Cangaceiros e Fanáticos de Rui Facó.  Abaixo apresento em fac-símile alguns recortes que tratam da violência no nordeste brasileiro, há quarenta anos, e que estavam guardados entre as páginas deste livro.  A primeira notícia fala da saga do menino Pedro Gonçalves de Sá, preparado durante onze anos para vingar a morte de seu paiEste acontecimento teve os ares de uma tragédia grega, muito comum no nordeste brasileiro, tendo sido retratado na literatura por Adonias Filho em seu romance Corpo Vivo, que descreve a história de Cajango, criado por seu tio, o meio-índio Inuri, para tornar-se um jagunço cruel com os poderosos, da zona cacaueira baiana, que exterminaram a sua famíliaEm entrevista na época, o autor deste romance declarou que a história de Cajango era baseada em fatos reais.  As outras notícias falam da violência cometida pelos políticos e das barbaridades policiais.




Notícia 1 - Publicada no Jornal do Brasil, 23 de dezembro de 1967.


Notícia 2 - Publicada no Jornal do Brasil, 23 de dezembro de 1967.

          Enquanto estes recortes dormiram no interior de um livro durante quatro décadas, a violência no Brasil manteve-se ativa, apenas mudando a sua roupagem.  Os políticos nordestinos não ficam mais por apenas dando tiros uns nos outros e vivendo da indústria da secaEles, em certo sentido, progrediram – graças à deformação da representação eleitoral, imposta pela ditadura e sacramentada pela nossa Constituição – e hoje se uniram aos empresários do sudeste, deram empregos a alguns acadêmicos, cientistas, jornalistas e intelectuais, incluindo seus familiares e filhos ineptos, para construírem a maior máquina criminosa para assaltar os cofres públicos deste país, em uma ação temperada por uma pseudo-ideologia esquerdista.  O triste disto é que enquanto até os traficantes de drogas do Rio de Janeiro investem em atividades semi-ilegais, como as “vans” do transporte alternativo, esta máfia é incapaz de investir em uma simples fábrica de vassouras, de modo a dar algum emprego aos seus conterrâneos, que acabam na prostituição, em subempregos no Rio ou São Paulo ou indo devastar a Amazônia na luta pela sobrevivência.
          Decorrente desta corrupção generalizada, a criminalidade cresceu nos centros urbanos onde o contrabando, tráfico de drogas e uso de armas militares contaminam a sociedade e o poder político, arrombando até as portas dos Tribunais Superiores
          Enquanto inocentes são vítimas de uma violência generalizada que impera em nosso país, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, fica burocraticamente olhando os aviões que caem, o Ministro da Justiça, Tarso Genro, ainda tenta manter uma pose de grande jurista apenas dando declarações vazias para esconder a sua incompetência e o Secretário Nacional de Segurança Pública, Antonio Biscaia, continua desaparecido para não prejudicar o seu empreguinho.  Mas, no Rio de Janeiro temos muita ação.  O Governador Sérgio Cabral faz um marketing da violência com suapolítica de enfrentamentoque consiste em dar uns tiros nas comunidades carentes, de acordo com aquela máxima fascista de que todo pobre é ladrão até provar o contrárioEste governador até hoje não apresentou um plano para resolver a crescente violência sob a sua administração e ainda fica devendo uma explicação de qual a diferença entre meia corrupção e meia honestidade, que a contravenção corre solta em seu Estado



Notícia 3 - Publicada no Correio da Manhã, 10 de dezembro de 1968

          O fato mais bárbaro e violento que presenciamos nestes dias, mostrando que a nossa sociedade ainda está em níveis primitivos na questão de direitos humanos, foi a prisão de uma jovem de quinze anos em uma cela masculina, no Município Paraense de Abaetetuba.  A jovem foi mandada para o seu martírio por uma mulher, a Delegada Flávia Verônica e foi mantida em seu estado de sofrimento pela juíza Clarisse Maria de Andrade que teve conhecimento do caso e não tomou nenhuma providênciaIsto tudo em um Estado governado por uma mulher, Ana Julia Carepa, do PT, e que tem também como Secretário de Segurança Pública outra mulher, Vera Lúcia Tavares.  Em nota oficial estas autoridades confessam indiretamente que tinham conhecimento deste caso bem como de outros que afloraram, que declararam que no início deste governo petista o Pará contava com 132 municípios com delegacias, das quais apenas seis com celas especiais para mulheres e que no atual governo construíram e reformaram somente onze delegacias com celas femininas.  Para agravar a desídia destas autoridades, enquanto a menina L.A.B., de quinze anos, com um metro e meio de altura e pesando trinta e cinco quilos, era mantida presa, estuprada, torturada e queimada com pontas de cigarros em uma fétida prisão paraense, a governadora petista do Pará, Ana Julia Carepa, divertia-se em Brasília em uma festa amazonense patrocinada com recursos públicos, balançando o seu traseiro – cultivado com muita mordomia –, dançando o carimbó com o representante da Igreja Universal no governo Lula, o Vice-Presidente José Alencar – em uma espécie de reedição da dança da pizza da deputada Ângela Guadagnin ao comemorar a impunidade de um colega petista por ocasião do episódio do “valerioduto” no ano passadoPara completar este quadro de total descaso pelo sofrimento humano a Ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, apenas queixou-se da “triste coincidência” do caso da menina torturada com a festa promovida pela sua administração, no Canecão, na cidade do Rio de Janeiro, com a realização do showPor uma vida sem violência”, com a participação de vários cantores famosos, tudo pago com o dinheiro públicoPara agravar mais ainda este quadro criminoso, o Ministro da Justiça Tarso Genro, do alto de seu pedestal jurídico, declarou: Todos nós nos sentimos violentados e agredidos, mas lamentavelmente este tipo de violação de direitos humanos no Brasil não é incomum, o que em bom português significa dizer, isto não é comigo
          Este caso leva-nos a duas reflexões: a primeira é que uma maior participação feminina no poder melhoraria a sociedade brasileiraEste mito foi desfeito, que o presente caso revela um time de mulheres totalmente complacentes e insensíveis com a torturaOutro ponto importante é que a impunidade de Lula, com essa história de afirmar que nunca sabe de nada, é uma chaga que deve ser combatida em nossa sociedade, que um Presidente da República não pode desconhecer crimes em sua administração, assim como a Governadora, a Secretária de Segurança, a Juíza e a Delegada do Estado do Pará e os Ministros que não conseguem resolver problemas com responsabilidade, devem ser punidos e afastados.  Portanto, devemos exigir uma punição severa para estas autoridades que parecem zombar dos preceitos mínimos de civilização
          Afinal as nossas leis são apenas decorativas ou para valer?

Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2007.
Teócrito Abritta

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O Carnaval Empacado ou da Mudança?

A velha Política, muito blábláblá, um Brasil que retrocede: Carnavais do passado...
Republico este artigo como lembrança de Fritz Utzeri, editor do Montbläat, falecido em 4 de fevereiro de 2013.


          Carnaval é uma festa que começa no primeiro domingo anterior à Quarta-feira de Cinzas e que teve origem na Grécia antiga.  Com o advento do Cristianismo, passou a ser uma festa comemorada em oposição ao rigor da Quaresma.  A palavra Carnaval, de origem latina, significa “festa da carne”, mas hoje em dia não vamos ser tão radicais assim e pensar apenas em muita alegria e divertimento.
          Felizmente o povo brasileiro tem uma infinita capacidade de superar dificuldades e, nos dias da folia, certamente esquecerá um pouco destas tragédias que andam por aí.
          Na nossa terrinha, em plena crise econômica, empreiteiros e políticos lucram como nunca graças a um pomposo Plano de Aceleração do Crescimento, o tal de PAC, que, a par dos rios de dinheiro que consome, continua empacado, enquanto Dilma Rousseff simplesmente esqueceu-se de mostrar competência – deixando de lado o “apagão” aéreo e a coordenação de treze ministérios para combater o desmatamento –, para assumir uma função que está mais para “primeira dama de Canapi”.  E Lula? Este sim vai ter um bom Carnaval, viajando bastante e ficando até com a voz alterada e olhos avermelhados de tanto discursar por aí, pregando a ignorância, a irresponsabilidade e a subserviência, só não falando nas tais de obras de infra-estrutura, como saneamento, estradas, educação e saúde pública.  Afinal de contas o divertido é perdoar desmatadores e devedores da Previdência Social.
          No plano internacional, a única medida prática e objetiva do “Change” e “Yes, we can” do Presidente Obama, será intensificar a guerra no Afeganistão, levando mais morte e sofrimento a um povo que quer apenas viver em paz criando as suas cabras em uma região das mais remotas do nosso planeta.  Será um Carnaval de terror e imolação de inocentes. 
          Como as cenas carnavalescas mostradas na televisão e nas revistas de fotografias se repetem ano após ano, nestes tempos de crise não vamos gastar dinheiro comprando novas revistas.  Simplesmente vamos tirar do baú exemplares de vinte ou trinta anos atrás, onde, abstraindo-nos um pouco dos penteados, o Carnaval parece que é sempre o mesmo.  Assim, vamos substituir o desânimo, para não falar em violência, dos atuais líderes mundiais, para retroceder aos anos sessenta, quando, mesmo com a Guerra Fria, todos dançavam alegremente e havia menos sangue, como mostra a charge abaixo.

Deixo como exercício a identificação de cada um dos líderes mundiais mostrados na charge e os seus motivos de alegria.  No caso, o Presidente da França, Charles De Gaulle, está dançando para não chorar, perdeu a Guerra da Lagosta, melhorando, na época, a auto-estima dos brasileiros, hoje tão maltratados na Espanha, Inglaterra, Suíça e até no Paraguai e Bolívia.
          Como Carnaval também é cultura, vamos lembrar antigas letras de músicas carnavalescas que parecem atuais como nunca.

Cachaça (1953)
(Marcha de Mirabeau Pinheiro,
L. de Castro e H. Lobato)

Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão
Pode me faltar tudo na vida
Arroz, feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não
Pode me faltar o amor
Isso até eu acho graça
Só não quero que me falte
A gostosa da cachaça

A Fonte Secou (1954)
(Samba de Monsueto Menezes,
Tufy Lauar e Marcleo)

Eu não sou água
Prá me tratares assim
Só na hora da sede
É que procuras por mim
A fonte secou
Quero dizer
Que entre nós tudo acabou.
Teu egoísmo me libertou
Não deve mais me procurar
A fonte do meu amor secou
Mas os teus olhos
Nunca mais hão de secar

Mamãe eu Quero (1937)
(Marcha de Vicente Paiva e Jararaca)

Mamãe eu quero
Mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamá
Dá a chupeta
Dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorá
Dorme filhinho
Do meu coração
Pega a mamadeira
E vem entrá no cordão

UM FELIZ CARNAVAL!

Montbläat
Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2009
Teócrito Abritta